"Estamos a investir no Instagram, por isso o marketing está tratado." Ouvi esta frase duas vezes só na semana passada, de donos de negócios diferentes. Faz sentido à primeira vista. Mas parte de um equívoco: trata o Instagram e o site como se fizessem o mesmo trabalho. Não fazem. Um atrai, o outro converte. E um negócio que quer crescer a sério precisa dos dois a trabalhar juntos.
A rua, a montra e a loja
Pense nesta parceria como um espaço físico. O Instagram é a rua: por onde passa gente, muita, distraída. O seu perfil é a montra: aquilo que faz alguém parar e olhar. E o site é a loja: onde a pessoa entra, percebe o que oferece e decide. Cada peça tem uma função. A montra não fecha vendas. A loja não atrai quem vai a passar na rua. São partes diferentes do mesmo percurso, e nenhuma substitui a outra.
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Um cria atenção, o outro cria decisões
O trabalho do Instagram é fazer as pessoas parar e reparar. O trabalho do site é levá-las a entrar e a decidir. Um cria atenção. O outro cria decisões. O Instagram é imbatível a gerar descoberta, mas ninguém abre a aplicação a pensar "preciso de contratar este serviço hoje". Abre para passar o tempo. É descoberta passiva. O Google é o oposto: as pessoas pesquisam exatamente aquilo de que precisam, com intenção de avançar. É aí que o site trabalha, no momento da decisão. Precisa de estar presente nos dois momentos.
Instagram sem site
Veja o que acontece quando só existe o Instagram. Alguém descobre o seu negócio. Fica interessado. E faz o que toda a gente faz a seguir: pesquisa-o no Google para saber mais. Não encontra nada. Ou, pior, encontra uma página solta, sem informação e sem caminho. A confiança que o Instagram criou desfaz-se ali mesmo. E a pessoa acaba a escolher o concorrente que tinha um site a sério à espera dela. O interesse existia. Faltou o sítio para onde o levar.
Site sem Instagram
O inverso também tem um buraco. Um bom site oferece uma excelente experiência a quem chega. Mas, sozinho, depende de que as pessoas já o procurem. Fica à espera de quem pesquisa, sem nada a alimentar a descoberta de quem ainda não o conhece. Perde o jogo da atenção. Converte bem, mas converte pouca gente, porque chega pouca gente. É ter a loja montada numa rua onde quase ninguém passa.
A sequência que funciona de facto
Os negócios que crescem mais depressa não escolhem entre um e outro. Usam-nos por ordem. Primeiro, o Instagram cria notoriedade: as pessoas descobrem que existe. Depois, o interesse cresce: seguem, interagem, ficam a saber quem é. A certa altura, surge a necessidade. E então procuram-no, pelo nome, com intenção de avançar. É aí que o site converte: dá a informação, gera confiança e fecha. O Instagram começou a relação. O site terminou-a. Cada um fez a sua parte.
Por onde começar
Se tem de decidir onde investir primeiro, construa a fundação antes de amplificar. O site primeiro. O Instagram depois. Não porque o Instagram não valha, mas porque funciona muito melhor quando há para onde mandar as pessoas. Uma montra bonita só convence quando existe mesmo uma loja por trás dela. Se está a investir em atenção mas ainda não tem onde a transformar em decisão, vale a conversa.
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